
Você se lembra da última vez que você teve uma conversa gostosa com alguém? Aquele tipo de conversa com uma conexão profunda olho no olho, onde a conversa flui e você se sente ouvido e se interessa pelo o que a outra pessoa está falando, sem as distrações de alertas de mensagem no celular?
Tenho percebido que esse tipo de comunicação tem se tornado tão raro hoje em dia e isso me fez refletir sobre os motivos disso está acontecendo, principalmente nos últimos 10 anos.
Você deve ter pensado que o uso de tecnologia é um dos principais motivos e com certeza é uma das razões, mas existem outros “porquês” que estão contribuído para esta dificuldade de nos mantermos em atenção plena nas conversas e gostaria de trazer a minha reflexão, sobre a nossa dificuldade em manter conversas genuinamente interessadas.
A objetificação das interações pessoais
Estamos vivendo o ápice do capitalismo tardio e essa exposição de consumo extrapola a nossa psicologia ao ponto de transferirmos a visão de consumidor que olha produtos de uma prateleira para as relações humanas, como se as pessoas fossem produtos que precisam atender às nossas necessidades. Se pararmos para pensar, vivemos sob uma lógica de competição constante, onde a visão de que tempo é dinheiro e que tudo, inclusive nossas relações, deve ter uma utilidade, essa visão fria e racional funciona para produtos e serviços, mas não funciona entre seres humanos, somos mamíferos, evoluímos através da conexão emocional e não conseguimos ignorar nossas necessidades de afeto, precisamos desprogramar essa visão utilitária que paira em nossas conversas, Se a conversa me traz algum ganho ou validação, eu fico, se ela exige silêncio, dedicação e reflexão, eu descarto? Se não, nossas relações sociais acabam se tornando frias, rasas e sem afeto.
Ter energia emocional para construir laços afetivos profundos
Para onde está indo nossa energia emocional que precisamos usar para construir conexões afetivas? Está indo para essa obsessão por performance e produtividade que foi naturalizada em nossa vida cotidiana, estamos tão exauridos tentando performar e produzir que não sobra energia emocional para mergulhar no mundo de outra pessoa. Sabe aquela sensação de tédio entre o intervalo de atividades cotidianas? Era utilizado para contemplar a vida e refletir sobre sua própria existência, carregava nossas baterias internas emocionais, criava um espaço vazio na mente e abria as portas para sentir as nossas emoções primárias, que nos trazem a autenticidade e o direito de apenas existir, quando eu me percebo eu consigo perceber outros.
Precisamos abrir espaço novamente para contemplar e fazer nada sem objetivos e performance. Sair da hipnose das telas e olhar em volta, voltar a olhar nos olhos da alma e abraçar o silêncio de apenas estar ali vivendo.
“Em um mundo que nos obriga a produzir e performar, parar para ouvir alguém sem julgamentos e com atenção plena é o maior gesto revolucionário de afeto que podemos praticar”
Enfim, como podemos nos conectar profundamente nas conversas e mergulhar no mundo de outras pessoas se estamos desconectados de nós mesmos?
E aí, vamos dar uma pausa para tédio e reflexão do lado daí?
Gratidão.